sábado, outubro 25, 2014

Rosa Oliveira



L´HOMME AUX RATS


vai-me buscar cigarros
(de enrolar duram mais)
dizia agarrado ao roupão
que gritava hospital a
centenas de metros
os chinelos de velho
nos calcanhares de cortiça
ontem esfreguei-me no chão
não há hipótese
não tenho orgasmos há quatro anos

fugi daquela casa
os ratos não me deixavam dormir
conduzi
o carro sugado pela neblina
os ciganos
ofereceram-me o lixo deles
para comer
agradeci
os algarismos
não paravam
batiam à porta
depositaram
um cão esventrado
no tapete

na aldeia
havia menos pessoas que no prédio
em frente de tua casa
cheira bem
o teu manjericão roído
por traças verdes

foi então no outono
telefonei-te
percebi
que estava a
deixar de ser moderno
era um sabujo
que batia nos pais
e mal sabia ler
tens de escrever e falar
por mim
perco-me nas frases
e as ideias partem-se
ao quererem sair

estás a ver este gajo
foi buscar tabaco e
agora vem com conversa de padre
se calhar safava-me
da ala psiquiátrica
se fosse para padre
assim
rio e choro
tudo de seguida
e não tenho ninguém a quem
encostar o corpo

esta conversa parece um poema
do cesariny
numa noitada
abjeccionista

esquece o orgasmo
é só um espasmo
toma mas é o lítio
e põe-te firme
na realidade

qual mimese
qual caralho...

(Relâmpago - revista de poesia nº 33)

Rosa Oliveira nasceu em 1958, Viseu. Tem-se dedicado ao estudo e ensino da literatura. Em 2013 publicou o seu primeiro livro de poemas - Cinza - editado pela colecção de poesia da Tinta da China.
                                                              

terça-feira, outubro 14, 2014

O TTIP por Almuneda Grandes

                                                               ALARMA

Nos sobran motivos para el miedo. Como vivimos cercados por la mentira y el silencio, al temor por la suerte de Teresa Romero se suma el de los aún desconocidos desastres que los recortes en sanidad provocarán mañana, y hasta la posibilidad de que, en el colmo del cinismo, el Gobierno aproveche la ocasión para liquidar lo poco que queda de cooperación y ayuda al desarrollo. Todo lo malo que hayamos sido capaces de pensar alguna vez se va cumpliendo sin remedio. Por eso quiero llamar hoy su atención sobre el TTIP, siglas que probablemente desconocen aunque pesan como una amenaza silenciosa sobre su futuro. EE UU y la UE negocian desde hace año y medio el Tratado Transatlántico de Libre Comercio e Inversión en una opacidad casi absoluta. Lo poco que han declarado sobre sus intenciones —que pretenden eliminar las barreras reguladoras que limitan los beneficios potenciales de las multinacionales a ambos lados del Atlántico— es ya temible. Los acuerdos que se están negociando en secreto pueden ser mucho más peligrosos que el ébola. Si lo que temen las organizaciones de la sociedad civil que han dado la voz de alarma llegara a cumplirse, las multinacionales tendrían derecho a cuestionar las decisiones que tomen Estados soberanos y a ser indemnizadas cuando éstas les perjudiquen. Para colmo, el tribunal que dirimiría estos conflictos no sería público, sino privado. Tres abogados con intereses en la disputa fijarían la sentencia y la multa correspondiente, sin derecho a recurrir por parte del Estado sancionado. A partir de ahí, la soberanía democrática será una cáscara hueca y el sometimiento de la política a los poderes económicos, la norma de nuestra vida. Recuerden estas siglas: TTIP. Porque lo peor que hayan temido al leer esta columna se cumplirá mañana si no somos capaces de evitarlo.

Artigo publicado no El País de 13-10-14, última página, sobre o obscuro
TTIP. Sobre o TTIP ver mais informação aqui, aqui, aqui