quarta-feira, novembro 30, 2016

UM PALHAÇO NA CASA BRANCA

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E de repente, na noite eleitoral americana de 8 de novembro, tudo mudou. O impossível, que era completamente possível mas os média não queriam ver, aconteceu: Donald Trump ganhou a corrida à casa branca como a tartaruga ganhou à lebre. A Europa não percebeu como foi possível a derrota de Hillary Clinton – nem ela percebeu. O escândalo ainda dura. Os próximos quatro anos podem ser perigosos para o mundo com um palhaço de implante capilar esquisito à frente do mais importante país do mundo. Como foi possível, continuam a interrogar-se os americanos bem-pensantes. Donald Trump tinha tudo contra ele: desde as sondagens que davam a vitória à senhora Clinton, até todos os disparates xenófobos, racistas e sexistas que afirmou durante a campanha. Para além disso Trump é um homem de negócios, sem experiência política – o que vai ele fazer na casa branca? Como é possível que alguém tão patético como Trump seja presidente dos Estados Unidos? Como pode um palhaço ter o código do maior arsenal nuclear do mundo? Enfim, multiplicam-se as interrogações. Mas embora a maioria dos americanos não tenha votado nele – Trump ganhou porque o sistema antiquado e imperfeito, mas tão valorizado pelos europeus, da democracia americana assim o permite –, demasiados americanos votaram nele. Porquê? Porquê tanta gente a aderir a um discurso como o de Trump depois de há quatro anos terem reelegido Barak Obama? A pergunta parece não ter resposta. Ainda mais se a tudo isto juntarmos o facto dos média norte-americanos (e claro, dos europeus) estarem a favor Hillary Clinton. Perante este último facto, parece-me estarmos frente a uma estranha desobediência mediática colectiva. Ou seja, muitos eleitores votaram contra as elites. O problema é que as elites não parecem perceber que são um problema – é contra elas que aparecem os discursos populistas. E o problema real que o mundo vai enfrentar, com ou sem elites, com ou sem populismo é o de ter Donald Trump na Casa Branca.