
Numa altura em que os média fazem o balanço do ano e elegem as personalidades do ano, seria interessante, e necessário, eleger o pulha do ano. É certo que a revista Time elegeu como "pessoa de 2015" Angela Merkel, o que é natural para uma revista que já fez o mesmo com G. W. Bush, Vladimir Putin ou mesmo, em tempos mais recuados Hitler. De facto, a Time sempre tão subserviente ao poder tem elegido vários pulhas. Mas se Angela Merkel pode ser facilmente considerada como a pulha não só de 2015, mas dos últimos anos, no caso português temos também alguém que deve ter esse título - o pulha de 2015 -, mas também dos últimos anos. Não é difícil adivinhar de quem se trata. Exactamente: Pedro Passos Coelho. Essa nódoa na História do Portugal actual, que os meios de formação de massas têm tratado com algum carinho, é não só o pulha de 2015, mas de 2011, 2012, 2013 e 2014. Porque PPC, que finalmente deixou o governo na sequência das últimas eleições de Outubro, foi o destruidor em quatro anos e meio de um país. Não só destruiu o país. Destruiu a vida de muitos portugueses. O que Passos Coelho fez, com a ajuda de Cavaco Silva (outro candidato a pulha do ano, e dos últimos anos), Vítor Gaspar, Miguel Relvas, Maria Luís Alburquerque, Paulo Portas e outros, foi empobrecer Portugal a níveis dos tempos de Salazar. Os cortes nas pensões e prestações sociais como o RSI, o desemprego, a emigração...Mas também nenhuma hesitação em dar o dinheiro dos contribuintes para os banqueiros e os bancos que estes levaram à falência. Tornar Portugal (e os países do sul da Europa) num país cujo modelo económico era a China foi durante estes quatro anos o objectivo desta direita ultra-liberal. Mesmo depois de ter abandonado o governo, o caso Banif rebentou nas mãos do governo socialista com apoio da esquerda. Não se trata só de incompetência, mas de manifesta maldade, ou seja, de pura pulhice.
Hoje, quarenta anos e um dia depois do 25 de Novembro de 1975, a esquerda regressou ao poder com a tomada de posse de um governo socialista apoiado pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP. É um apoio tímido, como tímido é este governo nas medidas que anuncia. E no entanto, o dia só por isso foi histórico. Mas foi também histórico porque hoje se pôs fim ao período de mais de quatro anos de governação de Passos Coelho, o pior e mais nefasto governo depois do 25 de Abril. E mesmo Cavaco teve a sua última intervenção pública de relevo. Agora cabe a António Costa fazer regressar o país à normalidade, aos partidos que apoiam este governo (BE e PCP) apoiá-lo nas suas medidas incipientes para esse regresso à normalidade. Mas Costa não terá uma tarefa fácil. Principalmente porque necessita do PCP como seu aliado, e o partido Comunista, centenário, há décadas com um constante discurso de oposição - mesmo contra o PS -, a qualquer altura pode romper o acordo. 


