segunda-feira, outubro 02, 2006

José Tolentino Mendonça

O POEMA
O poema é um exercício de dissidência, uma profissão de incredulidade na omnipotência do visível, do estável, do apreendido. O poema é uma forma de apostasia. Não há poema verdadeiro que não torne o sujeito um foragido. O poema obriga a pernoitar na solidão dos bosques, em campos nevados, por orlas intactas. Que outra verdade existe no mundo para lá daquela que não pertence a este mundo? O poema não busca o inexprimível: não há piedoso que, na agitação da sua piedade, não o procure. O poema devolve o inexprimível. O poema não alcança aquela pureza que fascina o mundo. O poema abraça precisamente aquela impureza que o mundo repudia.

1 comentário:

Anónimo disse...

« A LINGUAGEM DOS DEUSES »

............. "O poema devolve o inexprimível..." diz, e bem, o poeta Tolentino Mendonça. É esta, na verdade, a essência do poetar: cada poeta ao exprimir-se ultrapassa indelevelmente o sensorial. A alma é a entidade que dá vida ao poeta. Poetar, é como de há muito se vem dizendo, partilhar da linguagem dos deuses!
Amigo poeta se este comentário ler... passe pelo meu MIRADALTO e veja o que vai por lá.
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ou pel' O CANTO DE FRASSINO em:
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Frassino Machado