terça-feira, outubro 03, 2006

Sylvia Plath


BONDADE

A bondade plana perto da minha casa.
A dona Bondade, ela é tão simpática!
As jóias azuis e vermelhas dos seus anéis de fumo
Nas janelas, os espelhos
Enchem-se de sorrisos.

Que há mais real do que o gemido de uma criança?
O gemido de um coelho pode ser mais selvagem
Mas não tem alma.
O açuçar tudo cura, é o que diz a Bondade.
O açucar é um fluido necessário,

De cristais que são como um pequeno penso.
Ó bondade, bondade
A apanhar delicadamente os grânulos!
As minhas sedas japonesas, borboletas desesperadas,
Para fixar a qualquer momento, anestesiadas.

E lá vens tu, com uma chávena de chá
Numa auréola a vapor.
O jacto de sangue é poesia,
Nada o pode estancar.
Tu trazes-me dois filhos, duas rosas.

in Ariel, tradução de Maria Fernanda Borges, Relógio d' Água, 1996

1 comentário:

Palena Duran disse...

Olá Antonio,
cliquei no google em busca de alguma fotografia de Sylvia e cá encontro teu recanto, bacana, bacana. coincidentemente escrevi um texto 'em homenagem' à Sylvia Plath (quanta doce pretensão!) em minha coluna no site da Geração Editorial. passe lá para ler quando tiver um tempinho, adoraria - www.geracaobooks.com.br
E lá encontrarás outros textos, enfim, muitos, vários.
abraços,
Palena