terça-feira, outubro 26, 2010

Teresa M. G. Jardim


TELEVISÃO

A televisão é uma fotografia de guerra
que mexe. É um beijo mais largo que a minha cabeça.
É uma caixa de sabão que não se cansa de lavar mais branco.
E faz muita companhia, a mim, aos livros, ao cão.

O arroz está mais caro. A água e a luz também.
Eu estou mais gorda e não passou na televisão:
a minha televisão é sensível, preocupa-se comigo,
é como se fosse uma pessoa; melhor
que as pessoas amigas que me contam as rugas
e os cabelos brancos, resmungam
por tudo e por nada, calçariam luvas
para apanhar do chão um livro
ou mesmo o meu coração se caísse.

Teresa M. G. Jardim, Jogos Radicais, Assírio & Alvim, 2010, p. 19

Teresa M. G. Jardim nasceu no Funchal em 1960. Nos anos 80 publicou poemas no DN Jovem e no Anuário de Poesia da Assírio & Alvim. Professora e artista plástica, estreia-se em livro com Jogos Radicais. A sua poesia aproxima-se de um quotidiano onde a televisão convive com os gatos e os livros. (A fotografia acima foi retirada da página do facebook da autora).

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