É bem feliz por certo, o que somente
Ao rústico lavor acostumado
Conduzir sabe os bois, reger o arado,
E dar à terra a provida semente.
A arte de lavrar sempre inocente
Estuda só, e ignora afortunado
As novas leis, as máquinas de Estado,
E os documentos de enganar gente.
Projectos vãos não forma, e sempre isento
Da soberba ambição, nunca a Lisboa
Foi dobrar o joelho ao valimento.
Cabana humilde, onde nasceu, povoa;
E seguro no próprio abatimento,
Só tem medo do Céu, quando trovoa.
In Adeus, Campos Felizes – Antologia do campo na poesia portuguesa do século XIII ao século XXI, selecção e ensaio de Rui Lage, Assírio & Alvim, Porto, 2025, p. 171.
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