domingo, junho 30, 2019

REUTILIZAÇÃO DA ESTUPIDEZ


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A ideia do PS, plasmada no OE para 2019, de reutilização dos manuais escolares é uma ideia estúpida e sintomática de uma concepção de escola como um processo burocrático, ou um depósito de crianças e adolescentes. Diferente da ideia do PS era o projecto apresentado pelo PCP, que previa a dádiva pelo Estado aos alunos dos manuais sem que estes tivessem de ser entregues no final do ano lectivo. Mas isso seria um desperdício que Mário Centeno não poderia permitir.  
Sobre os manuais escolares, deve dizer-se que foram sempre uma forma de aproveitamento económico por parte das editoras que os publicam – como é o caso da Porto Editora, que sendo a maior editora, durante anos, a editar manuais escolares, se tornou, agora, no maior grupo editorial e livreiro do país. Esse aproveitamento consiste no uso de papéis caros, no uso abundante da cor, o que encarece o manual, e faz com que os livros escolares pesem mais que os outros livros, tendo as crianças e adolescentes que transportar um peso significativo nas mochilas. Ou seja, os manuais escolares apresentam-se como livros de arte, ou enciclopédias ilustradas. Daqui resulta que as primeiras experiências, na generalidade, com o livro, por parte das crianças, não são boas. Não só pela questão do peso, mas sobretudo porque os livros apresentam um saber, incipiente, muitas vezes marcado ideologicamente, que vai ser objecto de um exame, sob cuja performance é atribuída uma nota ao aluno. É assim que toda a possibilidade de pulsão epistemofílica, de interesse pelo saber, é castrada pela escola.
Ora, o deficiente saber, o saber deturpado, mas ainda uma narrativa de um saber, uma possibilidade do reaparecimento da pulsão epistemofílica – mesmo por outros membros da família – fica amputado quando os manuais escolares são devolvidos para reutilização. Porque em muitas casas portuguesas os únicos livros que existem são, por obrigação, os manuais escolares. Se tivermos em conta os dados recentemente divulgados, que dizem que os filhos das famílias mais pobres vão para os cursos com menos prestígio (os dos politécnicos), temos a evidência prática da política dos manuais reutilizáveis.


sexta-feira, maio 31, 2019

ABSTENÇÃO

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O semanário Expresso da passada sexta-feira, 24, trazia como manchete uma sondagem que indicava que 69 por cento dos portugueses não eram capazes de nomear nenhum candidato às eleições Europeias do passado Domingo. Ora, foi sensivelmente este o número da abstenção destas eleições, um número que se tomarmos por correcto constitui o recorde da abstenção em eleições desde o 25 de Abril (Luís Aguiar-Conraria, no Público de dia 29, serve-se de um outro argumento, os portugueses que residem no estrangeiro, e cuja taxa de abstenção “perfeitamente normal” foi de 99 por cento, para fazer umas estranhas contas que colocariam a abstenção na ordem dos 60 por cento).
Da citada manchete do Expresso infere-se um provável nexo de causalidade: os portugueses que não sabiam quem eram os candidatos não foram votar. É justo. Porque, embora o voto seja universal para todos os cidadãos maiores de 18 anos, não faz sentido que alguém que não tem nenhuma noção dos programas dos partidos, ou sequer não sabe o que é o Parlamento Europeu, ou que as eleições Europeias foram para o Parlamento Europeu, vá exercer o seu “direito”/”dever de voto”. E aqui estamos perante um assunto que é urgente ser discutido: literacia política. Levantar a questão de uma literacia política é levantar a questão de como as instituições se apresentam no espaço público (e aqui, a UE tem defendido a sua opacidade e complexidade burocratizante, enquanto os parlamentos nacionais se tornam mais transparentes com os seus canais televisivos – veja-se a título de exemplo a audição a Joe Berardo); é, também, questionar como os partidos fazem campanha e se apresentam aos seus potenciais eleitores; ou ainda – e este item reveste-se de particular importância – como os meios de comunicação social abordam nos seus espaços informativos as questões políticas e institucionais; e, não menos importante, como a escola explica o funcionamento das instituições.
Após o 25 de Abril, e depois com a estabilização democrática, a democracia representativa tornou-se universal. Na primeira República apenas os homens alfabetizados e os chefes de família podiam votar (curiosamente uma mulher, Carolina Beatriz Ângelo, médica e viúva, invocando a sua condição de chefe de família, conseguiu votar, tornando-se num caso absolutamente excepcional até às eleições de 25 de Abril de 1975 para a Assembleia Constituinte, onde as mulheres puderam votar pela primeira vez). Hoje, nas democracias representativas ocidentais a taxa de abstenção ronda os 50 por cento – foi também esta a taxa de abstenção média destas eleições tendo em conta o conjunto dos (ainda) 28 estados membros da UE.
Mas, em Portugal, a abstenção para as eleições Europeias, desde a década de 90 do século passado, apresenta números superiores aos 60 por cento, sendo as eleições com maior taxa de abstenção. Porque razão isto ocorre? Uma das possíveis explicações, alinhadas com outros países chamados eurocépticos, como é o caso da Grã-Bretanha que tenta sair da União Europeia, é a que os não votantes nas eleições Europeias em Portugal o fazem pelas mesmas razões que os ingleses quiseram, em referendo, o Brexit. Não me parece que seja essa a razão. A razão para o não voto dos portugueses, em particular nestas últimas Europeias, creio que se prende com a opacidade institucional da UE. Esta falta de transparência da UE só pode ser mudada por dentro, e o bom resultado que os partidos de tendência ecologista obtiveram, embora ainda insuficiente, pode servir para diminuir o peso que os partidos do centro, burocratizantes, têm no Parlamento Europeu. Mas há razões específicas para a existência desta maioria silenciosa: 1, a desconfiança em relação à UE terá aumentado depois da intervenção da troika em Portugal, que era constituída pelo BCE e pela Comissão Europeia; 2, um divórcio em relação à política portuguesa que foi caracterizada nos últimos tempos por uma austeridade encapotada, com cortes promovidos pelo ministro das finanças, Mário Centeno, que é ao mesmo tempo o presidente do Eurogrupo. Esse divórcio acentuou-se com o descaramento da banca e dos grandes devedores de que a audição a Joe Berardo no Parlamento foi paradigmática: como se pode compreender que o Estado tenha emprestado milhares de milhões de euros (cerca de 20 milhares de milhão) á banca para esta emprestar a estes multimilionários sem nenhumas garantias, em operações obscuras. E como se pode perceber que a mesma banca seja tão implacável para com aqueles que em dificuldades, vítimas da crise, desempregados, perderam a casa sob a qual tinham contraído empréstimo bancário? Daqui resulta, como estamos a assistir, um braço de ferro entre a banca (cujo Banco de Portugal supremamente representa) e o parlamento. Porque os políticos portugueses sabem que esta situação se tornou intolerável, e terá repercussões nas legislativas de Outubro próximo. Se, como escrevia o poeta e jornalista Eduardo Guerra Carneiro, “isto anda tudo ligado”, não podemos descartar a influência da audição parlamentar a Joe Berardo nos resultados das eleições Europeias.


terça-feira, abril 30, 2019

D. Dinis

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__ Ai flores, ai flores do verde pino, 
se sabedes novas do meu amigo! 
    Ai Deus, e u é? 

__ Ai flores, ai flores do verde ramo, 
se sabedes novas do meu amado! 
    Ai Deus, e u é? 

Se sabedes novas do meu amigo, 
aquel que mentiu do que pôs comigo! 
    Ai Deus, e u é? 

Se sabedes novas do meu amado, 
aquel que mentiu do qui mi á jurado! 
    Ai Deus, e u é? 

__ Vós me perguntardes polo voss'amigo, 
e eu bem vos digo que é san'vivo. 
    Ai Deus, e u é? 

Vós me perguntardes polo voss'amado, 
e eu bem vos digo que é viv'e sano. 
    Ai Deus, e u é? 

E eu bem vos digo que é san'vivo 
e seera vosc'ant'o prazo saído. 
    Ai Deus, e u é? 

E eu bem vos digo que é viv' e sano 
e seera vosc'ant'o prazo passado 
    Ai Deus, e u é? 

domingo, março 31, 2019

Joan Zorro

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Em Lixboa, sobre lo mar
barcas novas mandei lavrar,
                ai mia senhor velida!

Em Lixboa, sobre lo ler,
barcas novas mandei fazer,
                ai mia senhor velida!

Barcas novas mandei lavrar
e no mar as mandei deitar,
                ai mia senhor velida!

Barcas novas mandei fazer
e no mar as mandei meter,
                ai mia senhor velida!

(in Poemas Portugueses - Antologia da poesia portuguesa do séc. XIII ao séc. XXI, Porto Editora, p. 107)
Joan Zorro foi um jogral português que terá feito parte da corte de D. Dinis. São-lhe conhecidas 11 composições. Em 1967 Fiama Hasse Pais Brandão publica o livro Barcas Novas (ed. Ulisseia) que inclui o poema com o título homónimo, referindo-se à Guerra Colonial. Mas a marca intertextual de Joan Zorro na poesia de Fiama, não se ficaria por ai, publicando em 1974 "O Texto de João Zorro" 

quinta-feira, fevereiro 28, 2019

Francisco Sá de Miranda

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O sol é grande, caem co’a calma as aves,
do tempo em tal sazão, que sói ser fria;
esta água que d’alto cai acordar-m’-ia
do sono não, mas de cuidados graves.

Ó cousas, todas vãs, todas mudaves,
qual é tal coração qu’em vós confia?
Passam os tempos vai dia trás dia,
incertos muito mais que ao vento as naves.

Eu vira já aqui sombras, vira flores,
vi tantas águas, vi tanta verdura,
as aves todas cantavam d’amores.

Tudo é seco e mudo; e, de mestura,
Também mudando-m’eu fiz doutras cores:
E tudo o mais renova, isto é sem cura!

Francisco Sá de Miranda viveu entre 1481 ou 1485 e 1558. Poeta maior da história da literatura portuguesa, perto de Camões, Bernadim Ribeiro, Gil Vicente. O soneto aqui apresentado é um dos mais famosos do autor e aquele com quem alguns poetas do século XX estableceram relações de intertextualidade, como é caso de Gastão Cruz.

quinta-feira, janeiro 31, 2019

CENSURA E PEDAGOGIA


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1, Estava uma turma de Português do 12º ano, a ouvir uma medíocre versão dita por alguém no you tube do poema "Ode Triunfal" de Álvaro de Campos-Fernando Pessoa, quando alguém repara que ao texto impresso no manual da Porto Editora faltam três versos. Fantásticos estes alunos que mereciam um 20 por tal descoberta: a de que o manual da Porto Editora, de autoria de Noémia Jorge, Cecília Aguiar e Miguel Magalhães censurava três versos de um dos poemas mais importantes do modernismo português. Falavam esses versos de putas e de pedofilia: “automóveis apinhados de pândegos e de putas” (verso 153) e “E cujas filhas aos oito anos – e eu acho isto belo e amo-o! – Masturbam homens de aspecto decente nos vãos de escada.” O verso 153 não se percebe muito bem o porquê da censura – será que tem que ver com esta predominância de movimentos feministas? Quanto aos outros dois versos, percebe-se que hoje sejam mais censuráveis que há cerca de 100 anos quando foram publicados em Orpheu. Se Pessoa fosse vivo, e por algum azar um jornalista ou delegado do MP lhe caísse em cima (passe a metáfora), qual não seria a reacção da turbamalta? Ainda bem que a poesia é coisa de duas centenas de pessoas, como já o era no tempo de Pessoa-Campos. Mas, mesmo assim, poder-se-á dar razão aos autores do manual em ter censurado estes 2 versos, não vá qualquer furor adolescente lê-los em sagrada família, com um membro a exigir digitalmente a pena de morte para o poeta, enquanto o outro defende a tortura do membro viril cortado em fatias (um aparte para dizer que nada disto é da minha imaginação, antes reproduzo dois comentários ouvidos num café depois da passagem de uma reportagem da TVI sobre pedofilia).

2, Este caricato episódio, poderia servir para a discussão do programa de literatura portuguesa nas escolas. Ainda há alguns meses, se discutia sobre a importância d’ Os Maias nos currículos e da necessidade da sua leitura integral. Assim como Os Maias, o programa de português inclui uma série de obras que sendo clássicos da literatura portuguesa, nada dizem aos estudantes do básico e secundário. A maior parte dos alunos limita-se a estudar os apontamentos das aulas ou a ler os resumos que – ainda creio existirem – da Europa-América, ou então a enveredar por um caminho mais perigoso: o da wikipédia. Quanto aos alunos que vivem na ilusão de  trabalhar para ter médias que lhes permitam o acesso a um curso que lhes vai garantir o futuro – como se isso existisse hoje –, talvez por obrigação tentem ler as obras do programa. Mas sejamos claros: nada disto serve a literatura. A Escola não tem uma poção mágica que faça os alunos ter prazer por ler. Pelo contrário, a escola é a primeira instituição repressora do sujeito. E nessa repressão está o gosto pela leitura – não só pela literatura, mas por toda a espécie de texto, da filosofia à divulgação de biologia ou física. Quando existe algum gosto pela leitura do texto literário em adolescentes, ele não se compadece com um cânone que vai do Cancioneiro, passando por Gil Vicente, Camões, Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Camilo, e a obrigatoriedade de ler Eça (Os Maias substituídos por A Ilustre Casa de Ramirez) e Saramago (Memorial do Convento substituído por O Ano da Morte de Ricardo Reis). Todo este cânone é em si discutível, feito de textos mortos, no sentido que apresentam uma mentalidade que nada tem a ver com os nossos dias, ignorando os autores contemporâneos, e mesmo em alguns casos depreciando autores como Camilo Castelo Branco em favor de Eça de Queirós, algo a que não é indiferente o pobre centralismo lexical lisboeta. Mas ainda sobre este programa, deve-se dizer que ele é tão só História da Literatura, que ignora os grandes escritores e poetas que o século XX – e alguns já de inícios deste século – nos deu e dá. Se querem que adolescentes se interessem pela literatura, porque não começar por apresentar textos de Adília Lopes, Alberto Pimenta, ou mesmo Rui Manuel Amaral ou A. Dasilva O. de quem o “clássico” Peidinhos circulava há anos em fotocópias entre alunos? E aqui voltamos à censura, à hierárquica posição pedagógica, que mesmo entre os clássicos censura Bocage. Esta escola é demasiado estúpida, anquilosada, feita na generalidade de professores medíocres, ensinando que a alegria é um engano do corpo (o que até condiz com certa poesia que se faz, essa que tal como a escola, fecha as janelas a obras demasiado solares como as de Sophia ou Eugénio de Andrade). Resumindo a questão: ao impor um cânone que nada diz aos alunos do básico e secundário, a escola opta por liquidar qualquer interesse que os alunos pudessem ter pelo texto literário (com algumas e minoritárias excepções); em contrapartida, pode (a escola) imaginar que obriga os alunos a ter conhecimento de um cânone literário. Ou seja, opta-se por liquidar potenciais leitores, por liquidar o prazer da leitura (não estivesse ele já a ser liquidado por uma sociedade digital e iconográfica), em nome de uma memória do passado soterrada depois do último exame. Ou, como escreveu Joaquim Manuel Magalhães, “Que sentido houve para o que aprendeste? / Peidos com cheiro a rosa, foi o que foi.” (Os Dias, Pequenos Charcos; Presença, 1981).

segunda-feira, dezembro 31, 2018

LIVROS EM 2018


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1, Em meados da década de 1990, num livro intitulado Ser Digital, Nicolas Negroponte anunciava um mundo imaterial, composto por bytes. A verdade, mais de duas décadas depois, é que ainda, e felizmente, não atingimos esse mundo. Apesar das impressoras 3D, o digital ainda só serve para a transmissão de dados. É neste quadro que o livro como objecto material feito de papel, “cartolina”, cola, tinta, foi, juntamente com os jornais e revistas, ameaçado na sua materialidade pelos E-Books. Embora essa ameaça continue a pairar, o certo é que os livros electrónicos têm sido um flop. O mesmo não se pode dizer das livrarias, principalmente das que não estão ligadas aos grandes grupos que dominam o mercado editorial. Da Amazon à Wook, passando pela Fnac, a compra de livros on-line generalizou-se – mesmo a compra entre particulares através de sites como o Olx. O problema não está só na facilidade que a compra on-line oferece, mas também na incapacidade dos livreiros.
2, É neste último sentido que o ano de 2018 foi marcado pelo fecho de algumas livrarias de rua, em Lisboa e no Porto. Uma delas terá sido nos seus tempos áureos, década de 1980, 1990, uma, ou a, livraria mais importante em solo português. Era a Livraria Leitura, do Porto, enquanto teve à sua frente o livreiro Fernando Fernandes, também desaparecido este ano. No final da década de oitenta, quando pela primeira vez entrei na Leitura, que ficava então ao cimo da Rua de Ceuta, onde hoje está um moderno salão de cabeleireiro (ironicamente como se aquele espaço no trespasse trocasse o interior do cérebro pelo seu exterior capilar), encontrei o espaço mais repleto de livros que jamais tinha visto. Livros até ao tecto, onde só se chegava com um escadote, livros em estantes nas escadas que subiam para o primeiro andar, milhares de livros de todo o mundo num espaço exíguo. Nessa altura a Leitura era a mais bela livraria do mundo, se tomarmos em conta que o que faz a beleza de uma livraria são os livros, a potencialidade que eles oferecem, e não o espaço arquitectónico onde se situam, como acontece com a Livraria Lello – esta última colonizada actualmente pelos turistas deixou de ser uma livraria para se tornar num monumento. A Leitura fornecia livros para bibliotecas, fazia um catálogo, e todos os dias ia uma empregada aos correios que ficavam do outro lado da rua, com imensos livros para enviar para leitores – imagino que não só nacionais. Pela Leitura passavam frequentemente as cabeças mais iluminadas do Porto, e também quem de Lisboa vinha ao Porto. Creio que o sucesso da Leitura estava numa atenção única que Fernando Fernandes dedicava aos leitores. Numa época em que não existia internet, em que o conhecimento do que se publicava vinha de jornais como o El País ou o Magazine Literaire – mas também de outras revistas mais especializadas – Fernando Fernandes trazia até ao leitor o livro, quer este se encontrasse nos antípodas, quer estivesse ao lado na Livros do Brasil. Mas, a maior parte das vezes estava ali, na imensa secção de filosofia ou poesia, ou no original quer fosse um romance de Thomas Berhnard ou os diários de Sylvia Plath. Depois Fernando Fernandes reformou-se, vendeu a sua parte, durante alguns anos a Leitura, que passaria a chamar-se Leitura-Bulhosa, foi como um pulsar: ampliou o espaço, passando a ter entrada pela rua José Falcão, abriu livrarias no centro comercial do Bom Sucesso (Boavista) e em Serralves. Mas sem Fernando Fernandes já não era a mesma Leitura; e com a internet e a crise financeira viu-se restringida ao espaço da rua José Falcão. A colonização turística que faz do Porto (e Lisboa) uma cidade completamente descaracterizada, como se fosse uma Cinne Cità para turista, ajudou a dar a ultima machadada naquela que foi a maior livraria portuguesa.
3, Apresenta-se a seguir uma lista, por editoras (23), dos livros de poesia publicados em 2018. Será uma lista naturalmente incompleta e com erros. No entanto, foi a lista que com algumas horas de trabalho e a ajuda de sites de editoras, páginas do facebook, livrarias on-line, e jornais, consegui obter. Desta lista, comparada com a de outros anos, conclui-se, do ponto de vista editorial, não existirem grandes mudanças. A poesia continua a ser editada, a maior parte por micro-editoras (algumas só publicaram um livro), outra por editoras como a Assírio & Alvim, para quem a edição sendo um negócio, como o das salsichas não deixa de apresentar boa carne. Ou seja, livros importantes. Está neste caso o primeiro volume da obra completa de António Ramos Rosa, poeta de extensa obra que corria o risco de cair no esquecimento. Destaque-se ainda, na mesma editora a tradução de uma selecção de poemas de William Wordsworth por Daniel Jonas. Se houve autor que enervou, já desde 2010 os seus leitores, foi Joaquim Manuel Magalhães que este ano, depois de longo silêncio, voltou com novo livro de reescrita de poemas já reescritos e alguns inéditos – enfim uma confusão que pode ter a sua lógica.
4, Quanto ao ensaio, ficção e outros géneros de difícil catalogação, apresento uma pequena lista com a escolha de alguns livros. Noto por parte da imprensa que ainda se dedica a estes balanços, o esquecimento de um autor, que quer se goste ou não é fundamental na literatura e mesmo no pensamento que faz em Portugal: Gonçalo M. Tavares. Dele disse, com alguma razão José Saramago, que seria o próximo nobel português. O prémio já caiu em descrédito, mas as razões pelas quais a crítica teima em esquecer Tavares, ou outras pessoas o colocam nos mesmos termos de um José Luís Peixoto, são umas obscuras e as outras decorrentes de pura ignorância.

POESIA

ABYSMO
Luis Garcia Montero - As Lições da Intimidade (Trad. de Nuno Júdice)
Felipe Benítez Reyes - Privilégio de Penumbra (Pessoana) (Trad. de Vasco Gato)
Antero de Quental – Poesia III
AA VV - Lisbon Poetry Orchestra (Livro + 2 cd)

ALAMBIQUE
Ricardo Tiago Moura – Cruzes

AFRONTAMENTO
Fernando Echevarría - Via Analítica

ARTEFACTO
Miguel Filipe Mochila - Com a Língua nos Dentes

ASSÍRIO & ALVIM
António Ramos Rosa – Obra Poética (Vol. I)
António Botto – Poesia
Luís Quintais – Agon
Ron Padgtt – Poemas Escolhidos (int., sel. e trad. de Rosalina Marshall)
Luís Filipe Castro Mendes – Poemas Reunidos
Ana Luísa Amaral / Marinela de Freitas (Org.) - Do corpo: outras habitações
José Alberto Oliveira (versões) – Poemas da Antologia Grega
José Alberto Oliveira - De Passagem
Marta Chaves – Varanda de Inverno
Adília Lopes – Estar em Casa
Valter Hugo Mãe – Publicação da Mortalidade
Rosa Alice Branco - Traçar um Nome no Coração do Branco
Eugénio de Andrade – À Sombra da Memória (Reed. Pref. de Gonçalo M. Tavares)
Eugénio de Andrade - Ofício de Paciência (Reed. Pref. de Gastão Cruz)
Eugénio de Andrade – Rente ao Dizer (Reed. Pref. Federico Bertolazzi)
William Wordsworth – Poemas Escolhidos (Sel. e Trad. de Daniel Jonas)


AVERNO
Fábio Neves Marcelino - Canto Irregular
Tiago Araújo - Ano Zero
José Francisco Azevedo - Mistérios
Amalia Bautista - Coração Desabitado (sel. e trad. de Inês Dias)
António Barahona - Aos Pés do Mestre
Jorge Molder e Ricardo Álvaro - Morrer
José Carlos Soares - Camel Blue
Rui Pires Cabral - Manual do Condutor de Máquinas Sombrias
Carlos Nogueira/Inês Dias - Grafito
Manuel de Freitas - Shots

COMPANHIA DAS ILHAS
Ramiro S. Osório - Ao largo de Delos
Gisela Canãmero - Um Mosquito num Voo Baixo. Um Poeta na Revolução
Jorge Aguiar Oliveira - Pena de Morte
Fernando Machado Silva - Um Espelho para Reproduzir as Mutações da Vida
 Manuel Tomás - Falquejando os Dias  
Jaime Rocha (coordenação literária) - Poesia, Um Dia. Poetas em Ródão (2012-2017)
Cláudia Lucas Chéu - Beber pela Garrafa
José Viale Moutinho - A Pessoa Indicada
Rui Sousa - Ao Ouvido do Diabo
Paulo da Costa Domingos - A Vau
José Martins Garcia - Poesia Reunida

COTOVIA
Manuel Resende – Poesia Reunida
A M Pires Cabral - Trade Mark
Amália Rodrigues – Versos

DO LADO ESQUERDO
António Amaral Tavares - Retratos de Nova Iorque
André Tecedeiro - O Número de Strahler
Miguel-Manso – Mortel
Miguel Martins - Film Noir
Eunice de Souza – Coração de Abacate (Trad. de Francisco José Craveiro de Carvalho)
AA VV – Mixtape II

DOUDA CORRERIA
Hugo Milhanas Machado - Um longo tempo nos pulos do mar
Adelaide Ivánova - O Martelo
Yiannis Stiggas - Exupéry Significa Perder-se
João Paulo Esteves da Silva – Dois Bois e uma Arma na Mão
António Cabrita - Oitenta flechas para atrair a cotovia/ Livro 1
Raquel Salas Rivera – Desdomínios (trad. do espanhol e pref. de Mariano Alejandro Ribeiro)
Théodore Fraenckel – Iluminuras
Maria Daniela – Cona Cósmica
Ramiro S. Osório e Sebastião Belfort Cerqueira - RSO&SBC
Manel Seatra – Dias de Folga
Sandra Andrade - Caim / Lilith (2ª ed.)
Leonor Sá – A Poesia Está Fechada
Cristina Bartleby – O primeiro poeta que despi
Rui de Almeida Paiva - Canções de Embalar Belos Planetas Cansados
Nuno Marques – Dia do Não
Cláudia R. Sampaio – Outro nome para a solidão
Miguel Loureiro - Confissões de um Exilado no Barreiro

EDIÇÕES 50 KG
Manuel de Freitas – Sob o Olhar de Neptuno

EDIÇÕES AVANTE
Manuel Gusmão – A Foz em Delta

EDIÇÕES DO SAGUÃO
Alberto Pimenta – Pensar Depois no Caminho


EDITORIAL MINERVA
Fernando Guilherme Azevedo - Barroco Permeável
Paulo Sena - Passam as Ruas por Mim
Cláudio Cordeiro - Luz na Face
Maria do Carmo Cachulo - Pó de Arroz
José Pascoal - Excertos Incertos
José Pascoal – Antídotos
José Pascoal - Sob este Título

José Pascoal – Ponto Infinito

FRENESI
Paulo da Costa Domingos – Jocasta

GLACIAR
Carlos Frias de Carvalho - De Silêncio é o Pólen

IMPRENSA NACIONAL – CASA DA MOEDA
Vitorino Nemésio – Poesia (1916-1940)
Pedro Tamen – Retábulo de Matérias (1953-2013)
Mário Avelar – Coreografando Melodias no Rumor das Imagens
Alice Sant' Anna – Aula de Natação
Antonio Carlos Secchin - Desdizer

LICORNE
Wang Wei – Habitar o Vazio
Maria Graciete Besse – Na Inclinação da Luz
Casimiro de Brito – Memória do Paraíso
António Ladeira – Somos Infelizes

LÍNGUA MORTA
Luis Alberto de Cuenca – A Vida em Chamas (uma antologia) (sel. trad. prólogo e notas de Miguel Filipe Mochila)
Henri Michaux – Moriturus e outros textos (Org. e Trad. Rui Caeiro)
Luís Pedroso – Importunar o Tempo à Fisga
Eduardo Guerra Carneiro – Mil e Outras Noites (sel. Miguel Filipe Mochila)
Vasco Gato – Um Passo Sobre a Terra
Roberto Juarroz – A Árvore Derrubada Pelos Frutos (sel. e trad. de Rui Caeiro, Duarte Pereira e Diogo Vaz Pinto)
Ángel González – Para Que Eu Me Chame Ángel González (sel., trad., prólogo e notas de Miguel Filipe Mochila)

(NÃO) EDIÇÕES
Laura Erber - Mesa de Inspecção do Açúcar e Tabaco
Isabel Nogueira – Marginal
Rui Dias Monteiro – Reunião de Pedras
Álvaro Seiça – Previsão para 365 Poemas

OPERA OMNIA
Carlos Poças Falcão – Sombra Silêncio

PUBLICAÇÕES DOM QUIXOTE
Maria Teresa Horta – Estranhezas
Nuno Júdice - A Pura Inscrição do Amor
Manuel Alegre - Todos os Poemas São de Amor

RELÓGIO D’ ÁGUA
Bernardo Pinto de Almeida – A Ciência das Sombras
Joaquim Manuel Magalhães – Para Comigo
João Miguel Fernandes Jorge – Fuck the Polis
Marianne Moore - O Pangolim e Outros Poemas (Trad. Margarida Vale de Gato)
Arthur Rimbaud – Obra Completa (Trad. João Moita e Miguel Serras Pereira)
Gonçalo M. Tavares – Livro da Dança (reed.)

TINTA DA CHINA
Alberto Lacerda – Poemas Escolhidos (Sel. e Pref. de Luís Amorim de Sousa)
Pedro Mexia – Poemas Escolhidos
Fernando Pessoa – Fausto
Fernando Pessoa – Poesia. Antologia Mínima
Fernando Luís Sampaio - Aprender a Cantar na Era do Karaoke
Tatiana Faia – Um Quarto em Atenas
·               

ENSAIO, FICÇÃO, POESIA & OUTROS – UMA SELECÇÃO
António Guerreiro – O Demónio das Imagens (Língua Morta)
José Gil – Caos e Ritmo (Relógio d’ Água)
Roberto Esposito – De Fora. Uma Filosofia para a Europa (Edições 70)
Yuval Noah Harari - 21 Lições para o Século XXI (Elsinore)
Karl Kraus – Aforismos (VS – Vasco Santos Editor)
Clarice Lispector – Correio para Mulheres (Relógio d’ Água)
Rui Nunes - Suíte e Fúria (Relógio d’ Água)
Dulce Maria Cardoso – Eliete (Tinta da China)
José Sesinando – Obra Perfeitamente Incompleta (Tinta da China)
José Riço Direitinho – O Escuro que Te ilumina (Quetzal)
Gonçalo M. Tavares - O Senhor Brecht e o Sucesso (posf. Alberto Manguel) (Relógio d’ Água)
Gonçalo M. Tavares - O Senhor Walser e a Floresta (posf. Alberto Manguel) (Relógio d’ Água)
 Gonçalo M. Tavares - Cinco Meninos, Cinco Ratos (Bertrand)
Gonçalo M. Tavares - Breves Notas sobre Literatura-Bloom (Relógio d’ Água)
Carlos Poças Falcão – Sombra Silêncio (Opera Omnia)
Herberto Helder - Em Minúsculas (Porto Editora)
Manuel Resende – Poesia Reunida (Cotovia)
António Ramos Rosa – Obra Poética (Vol. I) (Assírio & Alvim)
Roberto Juarroz – A Árvore Derrubada Pelos Frutos (Língua Morta)
William Wordsworth – Poemas Escolhidos (Sel. e Trad. de Daniel Jonas)



sexta-feira, novembro 30, 2018

INDIGÊNCIA, DEPUTADOS E CIDADÃOS


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A 22 de Novembro tentei, via páginas web, contactar os vários grupos parlamentares que, numa democracia representativa como a nossa, têm o dever de representar os cidadãos. Em questão, como se pode ver pela leitura do texto abaixo, estava – e está – a forma como vivem centenas de milhares de pessoas em Portugal, com um governo, de esquerda – PS – e apoiado por outros dois partidos de esquerda (ou como querem alguns extrema-esquerda) que leva três anos de legislatura. Se durante estes 3 anos muitas prestações sociais foram repostas – reformas, aumento de salários na função pública, etc – continua a existir uma parcela da população portuguesa que vive na indignidade de ter um rendimento zero, e outra que vive na também indignidade de auferir um RSI que ronda uns míseros 200 euros. Penso que esta é uma questão de regime, ou seja, enquanto existirem, tanto em Portugal como noutros países – mesmo dos civilizados da Europa – pessoas que têm um rendimento zero, é a própria democracia que ainda não amadureceu o suficiente para terminar com este estado de coisas.
A minha abordagem, feita na tarde do dia 22 consistiu na procura via google das páginas web dos cinco partidos com grupos parlamentares: CDS-PP, PSD, PS, Bloco de Esquerda e PCP (deixei de fora o PAN, que apenas tem um deputado e o PEV, que para efeitos eleitorais e não só está dependente do PCP). Na fraca página do PSD não encontrei nenhum contacto. Não espanta, depois do governo Passos Coelho, e actualmente com o partido divido entre os deputados que foram escolhidos por Passos e o novo líder que teve que renegar o passado recente do partido, o partido encontra-se dividido (numa democracia normal teria o mesmo destino que o PASOK). O Partido Socialista e o PCP têm na sua web page uma “janela” para submeter os comentários. Tendo obtido na página do PCP um extracto de uma conferência de imprensa onde se anunciava que o PCP iria apresentar uma proposta sobre subsídio social para desempregados de longa duração, não submeti o texto (como fiz na página do PS) mas, antes um pedido de informação sobre essa proposta (é provável que entre as mais de 900 emendas ao Orçamento de Estado, o PCP tenha apresentado realmente uma proposta nesse sentido, que naturalmente foi rejeitada). Confesso que censurei duas partes do texto, ao submete-lo à página do CDS-PP: a parte onde faço referência às esmolas e a frase onde falo de neoliberalismo e Passos Coelho. O facto de ter censurado estas duas partes deve-se a uma atitude diplomática – embora não tenha qualquer ilusão sobre a política do CDS-PP no que diz respeito a apoios sociais. Apenas o BE apresenta além de um contacto de e-mail, um contacto telefónico.
Concordo que esta altura – a de apresentação de propostas para o OE 2019 – não terá sido a melhor para como cidadão tentar expor um problema aos grupos parlamentares. Também acho que o texto tem deficiências – falta-lhe a pirâmide invertida. Mas não acho que tenha sido nenhuma dessas situações o factor que levou a que até hoje não obtivesse nenhuma resposta – nem sequer uma resposta automática.
O problema que se coloca resume nisto: os deputados, uma vez eleitos não querem saber dos cidadãos que representam, dando razão ao comentário populista, “o que eles querem é tacho”. O que recentemente aconteceu com deputados do PSD, vem reforçar esta ideia. Cabe aos cidadãos e aos meios de comunicação social terem uma atitude vigilante, e procurar soluções.



Há em Portugal, um número que pretende ser escondido, mas que rondará as 300 a 400 mil pessoas, pelo menos, que não auferem nenhum rendimento. Nem o RSI – quer porque por qualquer razão perderam esse rendimento – e as assistentes sociais são peritas em criar condições para que isso aconteça –, quer porque estando numa família onde um dos agregados trabalha lhes é recusado esse rendimento. São pessoas muitas vezes acima dos 50 anos, que depois de ficarem desempregadas (e algumas tinham empregos onde auferiam salários duas ou até seis vezes o salário mínimo), toda a sua vida mudou. Algumas entraram em processos depressivos major, crónicos, que um inepto SNS é incapaz de resolver. São pessoas a quem foi retirada a esperança pela acção do anterior governo PSD/PP. São pessoas a quem foi retira a dignidade de viver, que vivendo em famílias que se tornaram pobres, estão em exclusão social – nem um cêntimo têm que seja delas. É uma situação lamentável? Sim. Mas não é uma situação TINA, uma situação sem alternativa. Essas pessoas – muitas das quais não têm dinheiro sequer dinheiro para comprar os medicamentos, sendo assim vítimas de uma mortalidade precoce – têm direito a ser tratadas com toda a dignidade que merecem pelo Estado português.
Numa notícia do site SIC – Notícias leio: “Mais três mil desempregados de longa duração com direito a subsídio social” (de 13.10.2018). Isto é um pouco ridículo: este número corresponderá a 1% dos desempregados de longa duração. É uma esmola do PS e do BE, que faz lembrar os ricos que no tempo do salazarismo tinham um, dois ou três pobres a quem davam esmola para expiação dos seus pecados.
Vivemos com uma enorme carga fiscal, com altas rendas pagas pelo Estado para grandes grupos financeiros. Ou seja, o neoliberalismo de Passos Coelho ainda não foi revertido.
Urge acabar com uma situação em que os desempregados de longa duração têm uma vida indigna. Para isso apelo ao vosso grupo parlamentar para criar legislação no sentido de criar um verdadeiro subsídio social para todos os desempregados de longa duração.


quarta-feira, outubro 31, 2018

CABRA DA PESTE

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Jair Messias Bolsonaro, antigo capitão do exército, é o novo presidente do Brasil. Porque ganhou as eleições este extremista de direita, perigoso protofascista, seguidor de Trump, defensor do armamento geral da população, amigo dos ultraliberais da escola de Chicago? Enfim, um cabra da peste, um cafajeste. Para se ser honesto, temos que ouvir quem votou nele, e a resposta parece ser o medo. O medo, mais que o ódio. O medo de ser uma das 62 mil vítimas de homicídio que por ano entram para as estatísticas de um dos países mais violentos do mundo. Mas Bolsonaro, com a ideia de distribuir armas pela população só tornará esse número muito maior. Em segundo lugar está a corrupção que grassa por todo o espectro político brasileiro. Ora, foi em nome do combate a essa corrupção que o juiz Sérgio Moro fez um golpe de Estado judicial ao enviar Lula da Silva para a prisão a tempo de que não se pudesse apresentar como candidato. Em condições normais, e apesar do fastio que os brasileiros sentem pelo PT, Lula ganhava a Bolsonaro. É preciso que se diga bem alto: os ministérios públicos (MP) estão a destruir as democracias – o Brasil é um claro exemplo disso. Entre um corrupto e um ditador eu prefiro o corrupto. Bolsonaro é sobretudo o produto de um alarme social (como os juízes gostam de invocar para usar a prisão preventiva) por parte do MP e do super-juíz Sérgio Moro. Em reconhecimento, e sem a mínima vergonha, Bolsonaro pôs à disposição de Sérgio Moro um lugar de ministro. Outro cabra da peste, cafajeste.