Isabel dos Santos, filha do cleptocrata
(traduzido para português vernáculo, ladrão) José Eduardo dos Santos,
presidente de Angola, é a mulher com a maior fortuna em África – 2 mil milhões
de dólares, diz a revista Forbes que sabe do que fala. Com 41 anos onde foi
arranjar tamanha fortuna? Recorrendo ao dinheiro que o papá rouba ao povo
angolano. Assim quando a bela Isabel vem a Portugal não é para comprar casacos
de vison ou jóias caras (também pode ser mas isso são amendoins). O que Isabel
dos Santos gosta de comprar são participações em grandes empresas. Em 2011
comprou uma participação na Sonae, talvez salvando assim o grupo que introduziu
os infernais hipermercados em Portugal da falência. As parcerias com a Sonae
continuaram e mais recentemente Isabel dos Santos e o grupo dos Azevedos
avançaram para a criação da Nos, uma “upgrade” da Optimus. O dinheiro subtraído
ao povo angolano, que apesar da prosperidade do fim da guerra civil e do
petróleo continua a viver na miséria, fica bem nos bolsos de Isabel como
outrora ficaram nos bolsos da outra Isabel, as rosas. Mas esta Isabel não quer
saber do pão que tira ao povo angolano. E muito menos os seus amigos
portugueses, a começar por Belmiro de Azevedo (que esta semana se retirou da
liderança da Sonae) e seu filho Paulo. Afinal o que seria do grupo português,
desculpem holandês, sem o dinheiro de Isabel, roubado pelo papá Dos Santos ao
Estado angolano? Isabel prospera e a Sonae também, mesmo em tempo de crise, e
com um governo de Robin dos Bosques invertido (rouba aos pobres para dar aos
muitos ricos). E lá vai Isabel, segura e formosa, criar o maior banco português
com a fusão do BPI (de que é accionista) com o BCP. Isabel não perde tempo. Um
dia destes vai a Forbes fazer as contas e estatísticas aos bilionários que
acompanha e conclui que a Isabelinha é a maior empresária portuguesa
(independentemente do género). Ou já é mesmo? Manso povo angolano que tais
coisas permites. Bom povo português que arrastas o carrinho do hipermercado
continente, como arrastas a vida, e até vais votar outra vez no Coelho, que do
Sócrates até da cela de Évora tens inveja. E a Isabelinha tão queridinha na
capa de revista cor-de-rosa que até nem parece preta com o seu muito querido
enésimo amor. Que o primeiro é o “Money” do papá.
domingo, março 15, 2015
sábado, março 07, 2015
A VIDA COSTA DO PS
O PS tem um problema sério. Chama-se
António Costa. Costa era desde há anos o D. Sebastião do PS, o salvador de um
partido inseguro com a liderança de António José Seguro. Costa começou por
recusar a travessia no deserto num momento excepcional de crise para o país.
Não quis ser oposição nessa altura de extrema responsabilidade perante um
governo de liquidação nacional, o tal governo mais alemão do que o alemão e que
ainda nos governa. António Costa era por essa altura (finais de 2011, 2012,
2013) apontado como candidato do PS à presidência da República. Entre os paços
do concelho e Belém seria um percurso sem se molhar, sem se sujar na lama, um
percurso impecável – e que faria ainda mais sentido hoje, quando a menos de um
ano das Presidenciais o PS não sabe quem está disponível para concorrer a
Belém. Seria. Mas Costa, depois da vitória do PS nas autárquicas – uma vitória
com sabor a derrota – resolveu avançar, finalmente, contra Seguro: o líder
inseguro em quem ninguém acreditava. Fez bem, mas iniciou uma guerra dentro do
PS que não favoreceu o partido. Finalmente eleito, Costa apresentava-se como o
tal D. Sebastião regressado de Alquacer-Quibir. Mas a verdade é que D. Sebastião
nunca regressou de Alquacer-Quibir, e aqueles que se apresentaram como sendo o
rei de Portugal eram farsantes.
Ora, a actuação de António Costa
como líder do PS nestes últimos meses tem sido desastrosa. De Costa esperava-se
uma oposição forte ao pior governo de Portugal depois do 25 de Abril. Mas
António Costa tem mantido as funções de presidente da C. M. de Lisboa, e parece
ser mais edil da capital portuguesa que líder da oposição. De Seguro, havia
mais oposição, mesmo que desse a impressão que o António José por vezes parecia
um pudim flan. Mas havia oposição. E de António Costa que temos: a recente
gaffe (?) perante um grupo de empresários chineses, “Portugal está diferente
[entende-se melhor] que em 2011”. Agora
no grave assunto das dívidas de Passos Coelho à segurança social deixa a
desejar. O líder do PS devia pedir a demissão já do governo, o que aliás tinha
o mérito de antecipar as eleições legislativas para antes do verão, permitindo
ao PS (potencial vencedor) elaborar um Orçamento de Estado seu para 2016. O
problema de Costa é que ainda não tem programa, vai adiando as coisas. Ou seja,
sendo a política uma questão de atitude, de carisma, e precisando Portugal de
um líder forte, António Costa, nos meses que leva como secretário-geral do PS, não
tem revelado essa atitude. Olhem para a Grécia, vejam o Syriza; olhem para
Espanha, vejam o Podemos. Ai cresce uma nova forma de fazer política perante a
crise da social-democracia (entenda-se partidos filiados na Internacional
Socialista e não o PSD, que não é um partido social-democrata).
terça-feira, fevereiro 24, 2015
Mário Rui de Oliveira
SANGUE
Depois chegavam os ventos
a tarde arrastava uma chuva
de flores brancas
tão delicadas
doía-me uma luz em teus olhos
que não conseguia
sombra assustada, minha vida
o ar libertava um azul
nesses passeios lentos pelo pomar
descendo às laranjeiras
o sangue ardia
*
FS-93-29
Meu pai foi caseiro
com setecentos escudos de renda
comiam-se as migas e a teresinha apontava
no velho livro de contas
um quilo disto e dois daquilo
e umas sapatilhas bondy
para o menino rasgar
na velha carrinha vermelha
o amigo da fábrica
que mais tarde o traíria
trabalhava-se duramente
parecia uma escravidão
até a casa foi vendida
vieram doenças
telefonemas de urgência
dias divididos à sombra do passado
esmagadeira das uvas
prensas antigas
tesouras da poda
esquecidas
cheias de ferrugem
agora a vida é muito diferente
*
ALMA
A alma é uma claridade discutível
cria laços com a escuridão
seu esplendor de diamante
provém da aluviões
lentamente depositados
Mario Rui de Oliveira, Bairro Judaico, Lisboa, Assírio & Alvim, 2003, pp.11, 13 e 34.
Mário Rui de Oliveira nasceu em 1973, em Joane. Estudou teologia e direito canónico. Publicou em 2002, com prefácio de Eugénio de Andrade, O Vento da Noite (Assírio & Alvim) e que se seguiu Bairro Judaico. A sua poesia (escassa) é marcada por motivos religiosos ou aparentemente autobiográficos. Pode ser inserido num grupo de poetas a que chamaram "poetas de Deus" e que tem em Tolentino Mendonça e Daniel Faria os seus expoentes mais próximos.
terça-feira, janeiro 27, 2015
AUSCHWITZ, 1945 – ATENAS, 2015
Há 70 anos o campo de concentração nazi de Auschwitz era
libertado por tropas Soviéticas. Era o fim do Holocausto empreendido pela
Alemanha de Hitler. Auschwitz, onde morreram mais de um milhão de pessoas, terá
sido o lugar de máximo terror e horror do século XX e talvez da História da
humanidade. Por isso a sua constante referência – o filósofo T. Adorno escreveu
que depois de Auschwitz não era possível voltar a escrever poesia. Mas o tempo
passou, ocorreram os julgamentos de Nuremberga, a desnazificação, o julgamento
de Eichmann, na década de 1960, em Jerusalém, do qual Hannah Arendt extraiu a
sua tese da “banalidade do mal”. Muitos dos responsáveis pelo Holocausto
conseguiram fugir, viver incógnitos em países como a Argentina. Na Alemanha,
dividida até 1989 pelo muro de Berlim, a vida continuou, a indústria da Alemanha
ocidental prosperou, e as grandes empresas que utilizaram mão-de-obra escrava
cedida pelo nazismo voltaram a tornar-se grandes exportadoras. Houve sempre um
esquecimento do horror do regime nazi sem o qual a prosperidade da Alemanha não
seria possível. Depois da reunificação a Alemanha terá passado por momentos
difíceis, mas a águia levantou-se. E quem não quer ter um BMW, um Mercedes, ou
mesmo um Audi? A magnífica tecnologia alemã, a sua produtividade baseada muito
num sistema de ensino que aos 10 ou 12 anos selecciona o futuro dos seus
cidadãos, espanta o mundo. Mas também os seus escritores, a sua filosofia, os
seus compositores. Como pode uma terra de gente tão grandiosa como Kant, Hegel,
Nietzsche, Heidegger, na filosofia, ou Goethe, Holderlin, Novalis, na
literatura, ou ainda nas música Bach e Beethovan, entre muitos outros, ser
também a pátria do crime mais hediondo contra a humanidade?
A verdade é que a Alemanha renasceu. Não é a Alemanha nazi,
mas a actual Alemanha de Angela Merkel, a Alemanha que chama “porcos” (PIIGS)
aos países do sul, a Alemanha da austeridade é uma versão light da Alemanha
nazi. Porque a austeridade tem feito vítimas nos países em que foi implantada –
e vítimas quer dizer mortos, pessoas com depressão, desesperados sem emprego,
fome, pessoas que ficam sem a casa que não podem continuar a pagar aos agiotas
bancários. Em Portugal tudo isso tem um responsável político: Pedro Passos
Coelho e o seu governo, com destaque para Vítor Gaspar, que embora já tenha
abandonado o governo é o ideólogo dessa política de destruição. Pela Europa do
sul, a Europa dos “porcos”, a direita tem executado as ordens de frau Merkel.
Até que domingo os gregos elegeram o Syriza. É certo que as
coisas não são comparáveis porque a dimensão das atrocidades é diferente, mas é
como se 70 anos depois da libertação de Auschwitz houvesse uma nova libertação –
a da austeridade. É certo que os povos do sul da Europa não podem ter como
certa e imediata essa libertação, mas há uma forte promessa.
Ontem Alexis Tsipras tomou posse como primeiro-ministro grego
e a primeira coisa que fez foi uma homenagem a 200 membros da resistência grega
fuzilados por nazis na II Guerra Mundial. O primeiro acto ou medida de um
primeiro-ministro é sempre simbólico e sintomático e Alexis Tsipras ao
homenagear aqueles que foram fuzilados pelos nazis alemães estava também a
homenagear aqueles que foram vítimas da austeridade – pessoas que não foram
fuziladas mas morreram por falta de assistência médica ou suicídio. De
Auschwitz, 1945, a Atenas, 2015, vai uma longa distância temporal, mas também
pequenas coincidências.
domingo, janeiro 25, 2015
SYRIZA: A VITÓRIA DE UMA NOVA POLÍTICA
Ao quinto ano de recessão, de completa destruição de um país
empreendida pela Europa comandada pela chanceler Merkel, o povo grego ergueu-se
do fundo de um poço. Ao votar maioritariamente no Syriza (apelidado de extrema-esquerda)
os gregos estão a matar o lobo que lhes guardava as galinhas; estão a
reconquistar a sua dignidade. Mas mais que isso estão a permitir que a Europa antidemocrática,
onde o sul tem sido esmagado pelo norte, volte não só à democracia mas a uma
nova forma de fazer política. Uma política que se faça para as pessoas e não
para as grandes empresas e grupos financeiros.
A Grécia, o povo grego, sofreram muito ao longo destes
últimos cinco anos – alguns perderam a vida na sequência das dementes políticas
exigidas pela troika. É tempo de acabar com as estúpidas exigências da troika,
é tempo da Europa do sul, incluindo Portugal, exigir aos seus governantes que
governem em seu nome. Com a vitória do Syriza pode iniciar-se na Europa uma
nova forma de fazer política que tem em partidos como o Podemos, de Espanha, um
dos seus expoentes. Não será um milagre, nem uma tarefa fácil destruir toda a
escumalha burocrática, financeira e espectacular que nos governa. Mas talvez
hoje seja o primeiro dia de uma nova era, uma nova política que se ergue.
quarta-feira, janeiro 14, 2015
OLGA GONÇALVES

(Moledo. Uma hora depois. Quando fui sentar-me entre
as ervas finas da primeira duna. Onde há camarinhas e as
austrálias podem ver o mar.)
1. Uma gaivota num tremor de frio
fechou os olhos sob os meus cabelos
(a paz já me não dói?)
2. Há sangue na orla das vagas
há maravilhamento nos ecos da praia
- a paz deixou de doer
*
Como a palavra nua
que partiu sem regresso
a angústia voltou
*
Sentir o cobre da argola do portão
agarrar os passos que se deram
para trás num caminho de rostos
*
As alvoradas brancas nasceram
para o lado de lá do desespero
campo aberto
Olga Gonçalves, Movimento, Círculo de Poesia / Moraes Editores, Lisboa, pp. 35, 38, 45, 50.
domingo, janeiro 11, 2015
DESFILE CONTRA O TERRORISMO COM TERRORISTAS
Chateia. Chateia toda esta hipocrisia de estado e da
sociedade do espectáculo em volta do ataque ao Charlie Hebdo. Chateia até á
ponta de um corno de um boi ver todos estes líderes desfilarem, eles, ou pelo
menos alguns deles, também terroristas de Estado, quer directamente (ordenando
aos seus serviços secretos a execução pessoas – como no caso do líder Israelita
e de Abbas, líder que foi de uma organização terrorista), quer indirectamente
como é o caso do terrorismo financeiro de Frau Merkel – cuja contabilidade de
vítimas no sul da Europa está ainda por fazer. E aquele senhor do Mali? Deve
ser um santo. Chateia tudo isto. Não conheço o tipo de cartoonismo que o
Charlie Hebdo fazia, mas certamente que não se limitava a fazer caricaturas de
Maomé, certamente que Hollande tinha sido várias vezes alvo dos cartoonistas
que foram assassinados na quarta-feira, ele e também Merkel e muitos dos outros
que ali desfilavam em nome da liberdade de imprensa, da liberdade de expressão,
palavras por estes dias repetidas à exaustão do nojo. O Charlie Hebdo não
acabou quando dez elementos da sua redacção foram assassinados mas quando o que restava do jornal aceitou o abraço do poder político, a
farsa que se viu na manifestação de domingo.
Este atentado, como outros perpetrados na Europa, vai
certamente servir para limitar as liberdades de circulação na Europa – contra o
espírito da UE – e para incutir ainda mais o medo nos cidadãos europeus que
andam como ovelhas mansas guiados pela sociedade do espectáculo, aceitando o
inaceitável, perdendo a democracia.
PS: a esta manifestação não faltou o nosso querido líder Pedro Manuel
sábado, janeiro 03, 2015
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