quarta-feira, janeiro 03, 2024
domingo, dezembro 31, 2023
LIVROS EM 2023
1, 2023 foi
o ano em que o Ministério Público (MP) levou à demissão do governo de António
Costa. Depois do ano ter começado com uma série de casos & casinhos que
envolviam membros do governo, o golpe final foi dado em Novembro, quando a
polícia entrou na residência oficial do primeiro-ministro e um comunicado do MP
colocava Costa como suspeito. O primeiro-ministro demitiu-se nesse mesmo dia.
Um mês antes, no Médio Oriente, o Hamas, num ataque terrorista, matava cerca de
mil israelitas e fazia mais de 200 reféns. A resposta do governo de Benjamin
Netanyahu foi uma acção de guerra que até agora fez mais vinte mil mortos
palestinianos, na Faixa de Gaza, a maioria deles civis, e parece avançar com
intenções de extermínio dos palestinianos.
Mas, no
início do ano, algo de novo aparecia no reino da tecnologia em que estamos cada
vez mais imersos: o Chat GPT. Concebido pela empresa OpenAi, o Chat GPT, e os
modelos que lhe seguiram por parte da concorrência, o Chat Bing (Microsoft) e o
Chat Bard (Google), permitem pela primeira vez uma interacção conversacional
com um mecanismo de inteligência Artificial (IA). Embora já estivesse presente
nos dispositivos electrónicos, nomeadamente nos smarphones, embora a
investigação em IA tenha décadas, nunca a IA se apresentou assim perante os
humanos: como um chatbot com o qual é possível “falar” (teclar), a quem é
possível colocar questões, dúvidas ou pedir para criar algo. Tratando-se de um
modelo de linguagem estatístico, o Chat GPT assume uma aura de uma entidade com
uma sabedoria que não tem – ainda. A inteligência artificial apareceu como uma
ameaça, a juntar a outras como a crise climática e as guerras (na Ucrânia e
entre Israel e o Hamas), o que levou, paradoxalmente, alguns dos investigadores
em IA a escreverem uma carta onde pediam uma desaceleração na investigação em
IA. Vive-se assim entre o desejo que a IA resolva os problemas da humanidade, e
o receio que se torne tão ou mais inteligente que os humanos. O certo é que
ainda imberbe, a IA aparece como uma ameaça também ao mundo da criação
literária. A greve dos argumentistas em Hollywood, que durou cerca de cinco
meses, foi causada entre outros factores pela utilização da IA, num claro e
primeiro efeito da IA no mundo da criação literária e artística. Os modelos
como o Chat GPT têm já a capacidade de escreverem histórias infantis que podem
rivalizar com as escritas por escritores humanos. Por altura do aparecimento do
Chat GPT a Amazon foi inundada de livros para a infância. Vivemos, assim, num
certo meio literário, já condicionado pela inteligência artificial. E o
restante mundo editorial (tradutores, revisores, gráficos, etc) poderá ser
afectado pela IA.
Num artigo
publicado no El País, a escritora e activista Naomi Klein acusava a IA de
“grande roubo” a todo o conhecimento humano, tendo o jornal The New York Times
materializado essa opinião ao recentemente processar a Microsoft e a OpenAI por
violação de direitos de autor. O filósofo José Gil, num ensaio publicado no
Público (3-12-23) prevê um cenário distópico: “as obras de arte algoritmizadas
serão saudadas como exemplos singulares de criação e engenho das máquinas
inteligentes. Os romances, as traduções, os objectos de arte, as composições
musicais resplenderão de originalidade inigualável. Produtos de uma enorme
complexidade – nós seremos mais simples e pequenos, pobres e felizes.”
2, De três
importantes escritores e poetas se comemoraram em 2023 o centenário de
nascimento: Eugénio de Andrade, Mário Cesariny e Natália Correia. Eugénio de
Andrade (1923-2005), foi um dos principais poetas portugueses da segunda metade
do século XX. A sua poesia imbuída de um Eros clássico, principalmente nas
primeiras obras, teve ao longo de décadas uma excelente recepção entre os
leitores. Treze anos depois do seu desaparecimento, importava averiguar o valor
que esta poesia mantém no cânone – universitário, crítico, entre pares e junto
dos leitores. Certo é que neste ano de centenário apenas um livro de Eugénio de
Andrade foi publico – Aquela Nuvem e Outras (Porto Editora), um livro para
crianças. Embora a Assírio & Alvim tenha vindo desde 2012 a publicar
individualmente cada um dos livros de Eugénio de Andrade, e já tenha em 2017
publicado a poesia reunida do poeta que nasceu no Fundão e viveu no Porto, e em
2022 a prosa reunida, pouco se notou, a nível de iniciativas, o centenário do
autor de As Mãos e os Frutos. Quer isto dizer que Eugénio de Andrade caiu num
certo esquecimento, ou talvez num desgaste.
Num sentido
contrário podemos falar da obra poética, e não só, de Mário Cesariny. O nome de
Cesariny liga-se umbilicalmente ao surrealismo português (juntamente com
Alexandre O`Neill e António Maria Lisboa, mas também Mário-Henrique Leiria ou
Manuel de Lima), de que foi o criador e teórico (veja-se Textos de Afirmação e
de Combate do Movimento Surrealista). Mas a sua poesia maior pode ser resumida
a quatro ou cinco poemas que estarão entre os melhores poemas da lírica
portuguesa. Mário Cesariny praticou a insubmissão como forma de vida. E essa
atitude terá levado a um propositado esquecimento da sua obra que foi
recuperada no final da sua vida e nos últimos anos. Daí que ao Cesariny poeta
se tenha recuperado o Cesariny artista plástico. A edição da antologia Poesia
de Mário Cesariny, e do projecto datado de 1977 de uma heterodoxa antologia de
poesia, cujo título Poetas do Amor, da Revolta e da Náusea (ambas organizadas
por Fernando Cabral Martins para a Assírio & Alvim) é já em si sintomático
da rebeldia de Cesariny, mas também do acolhimento que a sua obra tem tido.
No caso de Natália Correia, não podemos falar apenas de uma escritora e poeta. É, para além disso, a sua biografia que a vai impor como uma figura pública: deputada à Assembleia da República pelo PSD e depois pelo PRD, mas também pelo programa televisivo Mátria, que Natália Correia se torna conhecida do grande público, já depois do 25 de Abril. Mas, num outro círculo, mais restrito, Natália Correia vai afirmar-se, ainda durante o Estado Novo, como anfitriã e dona de um bar em Lisboa – o Botequim – que procurava ser um espaço de liberdade dentro da ditadura. Na sua actividade de escrita foi romancista, dramaturga, poeta, ensaísta, diarista, organizadora de antologias. Uma dessas antologias, Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica (1965, primeira edição) valeu-lhe uma condenação de três anos com pena suspensa; foi ainda processada por ser a responsável editorial do livro Novas Cartas Portuguesas (1973). A sua escrita andou pelos caminhos do surrealismo, e com Mário Cesariny partilhou além da rebeldia e insubmissão, a amizade e admiração.
3, No que
respeita aos livros publicados em 2023, apresento uma lista abaixo, que é uma
selecção, lacunar, do que foi publicado. A maior parte recebeu alguma atenção
por parte da escassa crítica literária ainda existente (Expresso, Público, JL,
pouco mais), outros livros foram ignorados por essa mesma crítica.
Da lista saliente-se,
na poesia, uma nova edição da Poesia de Luiza Neto Jorge, revista e aumentada,
que vai buscar poemas que a poeta não integrou na reunião da sua poesia em Os
Sítios Sitiados (1973), mas estavam em outros livros anteriores; a edição pela
primeira vez em português de um autor italo-argentino, Antonio Porchia, mestre
no aforismo de forte tonalidade poética, ou no poema disfarçado de aforismo,
que foi publicando ao longo dos anos na suas Vozes (Voces). A publicação da
obra completa de um poeta mais conhecido como letrista de fados, Pedro Homem de
Mello; e também das obras completas de dois autores muito distantes entre si,
não só no tempo: o clássico Horácio, e o recente Roberto Bolaño. Ainda obras
completas, ou completas até à data: Rita Taborda Duarte, Helga Moreira, Maria
da Graça Varella Cid e Ernesto Sampaio, de quem a Maldoror e Língua Morta
reuniram em cerca de 400 páginas os poemas e textos em prosa.
Na ficção,
no ano que o Nobel da literatura foi para o romancista e dramaturgo norueguês
Jon Fosse, os autores portugueses mais conceituados pouco ou nada publicaram
(com excepção de Gonçalo M. Tavares, sempre prolifico). Destaque-se o trabalho
editorial da E-Primatur que este ano publicou a tradução na integra de Gargântua
& Pantagruel de François Rabelais.
No ensaio,
destaque-se a reunião da obra ensaística sobre poesia de Joaquim Manuel Magalhães,
num grosso volume de quase 1200 páginas, que colige os seus três livros de
ensaios e acrescenta inéditos – pelo menos em livro –, assinado com o pseudónimo,
ou heterónimo, de António Maria António Pedro. Joaquim Manuel Magalhães é sem
dúvida um dos mais lúcidos leitores da poesia portuguesa, e não só. Ainda no
ensaio sobre literatura Joana Matos Frias publicou Oscilações (Documenta) e
Joana Emídio Marques Notícias do Bloqueio (Língua Morta). A Relógio d` Água
publicou mais um ensaio do filósofo Byung Chul Han, desta vez sobre A Vida Contemplativa,
mas nesta editora também se publicaram os Ensaios de Robert Musil, e um livro
que denúncia os mecanismos tecnológicos de vigilância da ditadura chinesa:
Estado de Vigilância de Josh Chin e Liza Lin. Também na linha da crítica das novas
tecnologias ao serviço do poder, de Jonathan Crary a Antígona traduziu Terra
Queimada – Da era digital ao mundo pós-capitalista. E, entre muitos outros
livros destaque ainda para um clássico do pensamento anarquista, Que é a
Propriedade? de Proudhon nas Edições 70.
POESIA
Mário
Cesariny – Antologia (Assírio & Alvim, org. Fernando Cabral Martins)
Mário Cesariny
– Poetas do Amor, da Revolta e da Náusea (Assírio & Alvim, org. Fernando
Cabral Martins)
António
Porchia – Vozes (Língua Morta, trad. Nuno Azevedo)
Luiza Neto
Jorge – Poesia (ed. Revista e aumentada por Fernando Cabral Martins e Manuele
Masini, Assírio & Alvim)
Adília Lopes
– Choupos (Assírio & Alvim)
Pedro Homem
de Mello – Poemas 1934-1961 (Assírio & Alvim, ed. Luís Manuel Gaspar)
Horácio –
Poesia Completa (Quetzal, trad. Frederico Lourenço)
Roberto
Bolaño – Poesia Completa (Quetzal, trad. Carlos Vaz Marquez)
Rosa Maria
Martelo – Desenhar no Escuro (Averno)
Margarida
Vale de Gato – Mulher ao Mar e Corsárias (Mariposa Azual)
Helga
Moreira – A Arte de Perder (Tinta da China)
Amadeu
Baptista – Danos Patrimoniais. Antologia pessoal 1982-2022 (Afrontamento)
Alberto Pimenta – They` II Never Be the Same (Edições Saguão)
Cesare
Pavese – Trabalhar Cansa (Penguin Clássicos, trad. Vasco Gato)
Fernando
Guerreiro – Metal de Fusão (Black Sun Editores / 100 Cabeças)
José Amaro
Dionisio, Helder Moura Pereira. Fátima Maldonado, F. Cabral Martins –
Imperfeição (não) edições
Rita Taborda
Duarte – Não Desfazendo (Imprensa Nacional)
Ernesto
Sampaio – Luz Central (Maldoror/Língua Morta)
Maria
da Graça Varella Cid – Poesia Incompleta (Tigre de Papel)
FICÇÃO
François
Rabelais – Gargântua & Pantagruel (E- Primatur)
Gustave
Flaubert – A Tentação de Santo Antão (Minotauro)
William S.
Burroughs – Almoço Nu (Minotauro)
Rui Nunes –
Neve, Cão e Lava (Relógio D` Água)
Gonçalo M.
Tavares – As Botas de Mussolini (Relógio d` Água)
Gonçalo M.
Tavares – Breves Notas sobre o Oriente (Relógio d` Água)
Joseph
Conrad – Plantador de Malata (Sistema Solar)
Hélia
Correia – Certas Raízes (Relógio D` Água)
Horace
Walpole – Contos Hieroglíficos (Antígona)
Monteiro
Lobato – Reinações de Narizinho (Tinta da China)
NÃO – FICÇÃO
Joaquim
Manuel Magalhães – Poesia Portuguesa Contemporânea (Bestiário)
Byung
Chul Han –
Vida Contemplativa (Relógio d´Água)
Jonathan
Crary – Terra Queimada – Da era digital ao mundo pós-capitalista (Antígona)
Joana Matos
Frias – Oscilações (Ducumenta)
Josh
Chin e Liza Lin – Estado de Vigilância (Relógio d´Água)
Robert Musil
– Ensaios (Relógio d´ Água)
Joana Emídio
Marques – Notícias do Bloqueio (Língua Morta)
Salvador
Dali – Diário de um Génio (Sr. Teste)
Ian F.
Svenonius – Contra a Palavra Escrita (Chili com carne)
Maria
Filomena Mónica – Os Livros da Minha Vida (Relógio d´Água)
António
Castro Caeiro – O que é a Filosofia? (Tinta da China)
João
Barrento – Aparas dos Dias (Companhia das Ilhas)
Furio Jesi - Cultura de Direita (Edições 70)
Simon Sebag
Montefiore – Mundo (Crítica)
António
Vieira – Entrevista (Companhia das Ilhas)
Diogo Ramada
Curto – Um País em Bicos de Pés (Edições 70)
José Gil –
Morte e Democracia (Relógio d´Água)
Camilo
Pessanha – China e Macau (Livros de Bordo)
Alexandra
Lucas Coelho – Libano, Labirinto (Caminho)
Michel
Eltchaninoff – Lenine Foi à Lua (Zigurate)
Roberto
Calasso – O Cunho do Editor (Edições 70)
P-J
Proudhon – Que é a Propriedade? (Edições 70)
(Em cima, intervenção sobre fotograma com Mário Cesariny)
quinta-feira, novembro 30, 2023
Leonardo Gandolfi
ESCALA RICHTER
segunda-feira, outubro 30, 2023
HELGA MOREIRA
sábado, setembro 30, 2023
ESOPO
O VENTO E O SOL
quinta-feira, agosto 31, 2023
NATÁLIA CORREIA
REBIS
segunda-feira, julho 31, 2023
ESTUPIDEZ NATURAL
1, Em fevereiro de 2020 a peste sob a forma de um vírus a que chamaram covid, aparece na Europa; em fevereiro de 2022 a Rússia invade a Ucrânia, é o início de uma guerra que na realidade opõe o ocidente à Rússia, mas de certa forma, também à China, numa nova ordem mundial cuja natureza última estamos longe de vislumbrar; em fevereiro deste ano os meios de comunicação social começam a falar de uma nova forma de inteligência artificial (IA), criada pela empresa Openai, que interage com qualquer utilizador que aceda a este serviço que numa primeira fase foi gratuito. É o famoso Chat GPT (na versão 3.5 de acesso livre, a versão 4 tem que ser paga). O mundo já muitas vezes passou por pestes seguidas de guerras e vice-versa, mas nunca por uma máquina que simule (?) a inteligência, a fala humana. A IA, para uns um perigo para a humanidade, para outros uma oportunidade na resolução de problemas que afectam os humanos, desde a solução para algumas doenças até problemas como as alterações climáticas, era como um gato escondido com o rabo de fora. Na realidade pouco ou quase nada se falava dela, mas dos algoritmos existentes nos smartphones, que partem do princípio de que se a pessoa A gosta da música X também vai gostar de Z e W (este princípio usado pelo Spotify ou YouTube é também válido para muitas outras aplicações).
2, O
mundo de cada humano passou para um pequeno smartphone (literalmente telefone
inteligente) que nos acompanha para todo o lado e onde temos todos os nossos
contactos, cada vez mais virtuais, bem como fotografias e outros documentos. E
estamos presos e enredados nesse micro-computador de bolso sem o qual a vida
hoje é difícil de ser vivida. É uma vida cada vez mais virtual, mas também é a
forma como, cada vez mais interagimos com o outro, com a possibilidade de uma
alteridade. Torna-se assim num paradoxo: agimos com mais pessoas e de forma
mais fácil, mas essa acção já não é uma presença, é mediada por uma tecnologia
que nos representa. A internet transformou-se de uma utopia comunicacional em
algo que deu um enorme poder a quatro ou cinco empresas que podem ameaçar a
nossa liberdade. A inteligência artificial é um dos mecanismos que mal-usados
nos pode tornar escravos numa distopia.
3, Se durante quase duas décadas o Google foi
o principal motor de busca de conteúdos na internet, com o Chat GPT isso
pareceu alterar-se (a propósito recomendo o Duck Duck Go ao google). Já não se
tratava de apresentar sites (a maioria pagos) mas de fazer uma pergunta a um
sistema de IA. Ora, na versão 3.5, o chat GPT revelou-se pouco fidedigno.
Quanto não tinha uma resposta inventava, o que os especialistas em IA chamaram,
muito humanamente "alucinar". Isso quer dizer que, pelo menos na
versão 3.5, o chat GPT mostrou-se menos fiável do que a Wikipédia, cujos
artigos estão cheios de erros - humanos. E, de facto, a internet é uma rede
cheia de informações falsas, duvidosas, inexactas, que as redes sociais expuseram
ao limite. Ora, o chat GPT pretende ter toda a informação que circula online (além de uma montanha de livros que "leu"), o
que equivale a ter bastante informação falsa. Então como vamos confiar na
informação que nos é "dada" por uma inteligência artificial?
4, Outro problema que o aparecimento destes
sistemas de IA coloca, é a criação artística. Para já a actual IA parece estar
na sua infância, mas isso não impede alguma criatividade, precisamente uma
criatividade ao nível infantil. O Chat GPT é bom a criar histórias para
crianças, porque razão uma editora de livros infantis não poderá substituir os
seus escritores de livros infantis pela inteligência artificial? E quando o a
IA for capaz de escrever romances? Será que um dia um programa de IA irá
escrever algo superior à capacidade criativa de um Joyce, um Proust, um Kafka,
um Pessoa? E na pintura, na música, no cinema, na fotografia. Para já há
experiências de jornais feitos por IA. A Inteligência artificial não é só uma
ameaça a tarefas rotineiras, é uma ameaça também à Arte, aos artistas, e
portanto aos humanos.
5, Numa carta aberta subscrita entre outros
pelo criador da Openai e do Chat GPT, Sam Altman, e por um engenheiro da
Google, percursor dos sistemas de IA apelava-se para uma regulamentação a nível
governamental da IA. Caso isso não fosse feito poderíamos estar perante algo, tão catastrófico como a extinção da humanidade. A carta não foi tomada em conta pelos governos,
e note-se que foi escrita e subscrita pelos criadores da IA. Antes, governos
como o português, no âmbito do que chama "transição digital", já
anunciou que as chamadas para o 112, a partir de 2025, serão atendidas por um
sistema de IA.
6, Vivemos um tempo de ameaças e de aceleração
técnica como nunca antes a humanidade tinha vivido. A IA é mais uma dessas
ameaças, mas também nos pode ajudar a resolver vários problemas. Em rigor, não
se sabe até que ponto a IA está desenvolvida, mas não é difícil imaginar até
onde ela se pode desenvolver: até governar ou escravizar os humanos. Ou então,
até uma fusão com os humanos (transhumanismo, cyborgs). Por isso é necessário tornar esta uma
questão política premente. Mas os partidos políticos, os governos, a UE,
parecem quererem ignorar o que se passa. A ameaça – mas também as suas
possibilidades – ficam a pairar perante uma classe política e uma humanidade
estúpida.
sexta-feira, junho 30, 2023
FRANZ KAFKA
REFEEIÇÃO
quarta-feira, maio 31, 2023
FERNANDA BOTELHO
AS COORDENADAS LÍRICAS
domingo, abril 30, 2023
Fernando Esquio